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Massacre israelense na Faixa de Gaza: ao menos 274 civis mortos

Utilizando um cais flutuante montado pelos Estados Unidos e com apoio por ar e terra, as forças armadas israelenses resgataram quatro reféns ontem (8), mas mataram pelo menos 274 civis palestinos. Disfarçados de comboio humanitário, inclusive com um caminhão pintado de branco chegando pelo cais norte-americano, as forças israelenses avançaram atirando em Nuseirat, cometendo novamente crimes de guerra, a saber, “dirigir intencionalmente ataques à população civil em geral ou civis que não participem diretamente nas hostilidades” e . Os ataques aéreos foram dirigidos contra um mercado e um campo de refugiados.

Stedile cita Casaldáliga em encontro com papa Francisco: ‘malditas sejam todas as cercas’

João Pedro Stedile, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), discursou neste sábado (18) para o papa Francisco em evento realizado na cidade de Verona, na Itália. O encontro teve a participação de representantes da sociedade civil, movimentos e associações engajados na construção da paz e contou com a presença de 12,5 mil pessoas.

Em sua fala, Stedile citou o bispo Pedro Casaldáliga, que teve atuação de destaque na defesa dos direitos humanos, em especial das populações marginalizadas. “Malditas sejam todas as cercas. Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e de amar”, discursou Stedile. Na mesma cerimônia, o papa Francisco abençoou a bandeira do MST.

No mesmo evento, Maoz Inon, de Israel, e Aziz Sarah, da Palestina, deram seus depoimentos a favor da paz. Os pais de Inon foram mortos no ataque de 7 de outubro do Hamas ao território israelense, enquanto Sarah perdeu o irmão no conflito subsequente, que já matou cerca de 35 mil pessoas em território palestino, a maioria mulheres e crianças

“A nossa dor e tristeza nos uniram para dialogar para criar um futuro melhor”, disse Sarah. Sob muitos aplausos, papa Francisco, mesmo com dificuldades de locomoção, levantou da cadeira de rodas e os abraçou. Ele lamentou a guerra. “Diante do sofrimento destes irmãos, que é o sofrimento de dois povos, não há palavras”, disse Francisco. “Que levem o nosso desejo e a vontade de trabalhar pela paz desses dois povos”, completou.

(Brasil de Fato)

Faixa de Gaza: não há lugar seguro para deslocamento forçado

Enquanto Israel determina o deslocamento forçado da população de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, incluindo pessoas que já haviam sido forçadas a se deslocar de outras partes dessa região palestina, o comissário-geral da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazarini, afirma: “A afirmação de que pessoas em Gaza podem se mover para zonas ‘seguras’ ou ‘humanitárias’ é falsa. Não há lugar seguro. Ninguém está seguro”

“Desde o início da guerra em Gaza”, diz Lazarini, “os palestinos foram forçados várias vezes a procurar segurança que nunca encontraram, inclusive em abrigos da UNRWA.” E acrescenta: as áreas para onde se deslocam agora não contam sequer com água tratada ou saneamento básico. A situação ainda se agrava pela falta de ajuda humanitária, incluindo comida e outros itens básicos.

O chefe da missão da ONU recorda as obrigações das partes no conflito, incluindo o Estado de Israel, o Hamas e outros grupos armados palestinos:

  • A passagem rápida e desimpedida de ajuda humanitária para todos os civis em necessidade, onde quer que estejam, é essencial e tem que ser permitida e facilitada;
  • a população deslocada precisa ter acesso a itens básicos de sobrevivência, incluindo comida, água e abrigo, bem como higiene, saúde, assistência e, acima de tudo, segurança;
  • as equipes de ajuda humanitária precisam de liberdade e segurança de movimentação para alcançar aqueles em necessidade de assistência e proteção onde quer que estejam;
  • é obrigação das partes em conflito proteger civis e objetos civis em toda parte.

Ao fim, Philippe Lazarini afirma: “acima de tudo, é tempo de concordar com um cessar-fogo”.

Resumo diário: 25/02/2024

Papa no Ângelus: pela diplomacia e a paz

No segundo aniversário da intervenção russa na guerra da Ucrânia, o papa Francisco pediu para que sejam criadas condições para uma solução diplomática do conflito que proporcione uma paz justa e duradoura. Também lembrou da Palestina, de Israel, da República Democrática do Congo e da Nigéria, que sofrem com a guerra e a violência. Ao solidarizar-se com a população da Mongólia, que vivencia uma onda de frio, afirmou que esta onda é consequência das mudanças climáticas, as quais classificou como um problema social global.

Assista à transmissão no YouTube da Vatican News:

Bolsonaro reconhece minuta de decreto golpista

Em discurso para apoiadores na avenida Paulista, Jair Bolsonaro reconheceu a existência de uma minuta de decreto para derrubar a eleição de Lula em 2022, decretar estado de sítio e intervir no Tribunal Superior Eleitoral. Leia mais na revista Fórum.

Manifestação contra Netanyahu em Tel Aviv

Milhares de pessoas se reuniram posta protestar contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Tel Aviv. Além de exigir a renúncia do político, instavam à negociação com o Hamas para obter a libertação dos reféns que o grupo palestino mantém desde outubro do ano passado.  Leia mais na revista Fórum.

Províncias argentinas ameaçam cortar fornecimento de petróleo e gás

Diante do corte de repasses federais a províncias argentinas, governadores do sul do país ameaçam cortar o fornecimento de petróleo e gás. O ultimato foi dado pelo governador de Chubut, Ignacio Torres, no que foi apoiado por colegas. Leia mais no Brasil de Fato.

Resumo diário: 23-24/02/2024

Lula reafirma: Israel pratica genocídio de palestinos

Em evento na Petrobras, o presidente Lula reafirmou sua posição a favor da criação de um Estado palestino independente coexistindo com Israel e disse: “o que está acontecendo em Israel é um genocídio. São milhares de crianças mortas, e não estão morrendo soldados, mas mulheres e crianças dentro de hospital.” Veja aqui em Visão Católica.

Navalny morreu de causas naturais

Alexei Navalny, opositor russo conhecido mais pelo apoio recebido do Ocidente que por seu neonazismo, faleceu de causas naturais. A conclusão da investigação médica foi divulgada por sua secretária de imprensa. Leia mais em Visão Católica.

Bolsonaro espionou oposicionistas e aliados

Não só oposicionistas foram espionados pela “ABIN paralela” durante o governo Bolsonaro. Aliados, jornalistas, ambientalistas, sindicalistas e servidores foram outras vítimas da arapongagem ilegal usando o software FirstMile. Leia mais na revista Fórum.

Identificados militares da ativa que redigiram carta golpista

As investigações sobre a tentativa de impedir Lula de tomar posse e governar chegaram ao nome de dois coronéis como autores de uma carta apócrifa de oficiais superiores da ativa instigando o golpe: Giovani Pasini e Alexandre Bitencourt. A carta circulou entre militares em 2022, e tachava de covardes, injustos e fracos os que não aderissem. Leia mais na Folha de S. Paulo.

Lula reafirma: Israel pratica genocídio de palestinos

Em evento na Petrobras, o presidente Lula reafirmou sua posição a favor da criação de um Estado palestino independente coexistindo com Israel e que este país está cometendo um genocídio de palestinos. “Não troco minha dignidade”, ele afirmou. A declaração ocorreu após Israel reagir à comparação feita por Lula entre o genocídio em Gaza e o holocausto, que gerou reações do governo israelense e a retirada dos embaixadores de ambos os países.

O que o governo de Israel está fazendo contra o povo palestino não é guerra,é genocídio! Porque está matando mulheres e crianças. O que está acontecendo em Israel é um genocídio. São milhares de crianças mortas, e não estão morrendo soldados, mas mulheres e crianças dentro de hospital

(Foto em destaque: Ricardo Stuckert/PR)

OMS condena cerco israelense ao Hospital Nasser em Gaza

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou hoje em sua conta no X o cerco ao Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza. O hospital está sob cerco há uma semana, civis foram mortos pelas forças israelenses, o muro norte foi demolido, depósitos de material e equipamento médicos foram destruídos, não há (ao contrário do dito pelo governo israelense) um corredor seguro para os necessitados. A própria OMS teve o acesso ao hospital negado por Israel e não tem mais contato com a equipe local.

Hospital Nasser em Gaza após ataque israelense. (Foto: Radio Habana Cuba)

Nós vimos antes como privar hospitais de recursos e acesso paralisa serviços que salvam vidas. O Nasser é a espinha dorsal do sistema de saúde no sul de Gaza. Ele tem que ser protegido. O acesso humanitário tem que ser permitido.

Hospitais têm que ser salvaguardados para que sirvam em sua missão de salvar vidas. Eles não podem ser militarizados ou atacados. (Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS)

“Eu sobrevivi aos bombardeios israelenses, mas não tenho garantia de que sobreviverei à morte no hospital privado de medicamentos”, disse ao The New Humanitarian Ali al-Akhras, de 42 anos. Ele foi ferido no final de dezembro em um ataque israelense enquanto se refugiava em uma escola. À mesma reportagem, o médico Hatem Rabaa afirmou que, “além da acumulação de lixo nos corredores do hospital, lixo comum e hospitalar que deveria ter destinação especial também está se acumulando nas vizinhanças do hospital, criando um risco sem precedentes à saúde”.

Segundo as Nações Unidas, ocorreram mais de 350 ataques a instalações de saúde desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023. Também a fome é um perigo para os moradores da Faixa de Gaza – a última vez que a Agência da ONU para Assistência as Refugiados Palestinos (UNRWA) conseguiu distribuir alimentos na região foi em 23 de janeiro. Esse é o período mais letal desde o início da ocupação israelense, há 56 anos: mais de uma pessoa a cada 100 habitantes da Faixa de Gaza morreu em apenas 100 dias.

Cessar-fogo e troca de reféns na Faixa de Gaza

Com mediação do Egito e do Qatar, Israel e Hamas chegaram hoje (22) a um acordo por um cessar-fogo de quatro dias na Faixa de Gaza e a troca de reféns – 50 israelenses e 150 palestinos, todos eles menores de idade ou mulheres. O mais jovem refém do Hamas é um bebê de apenas nove meses e Israel libertará adolescentes a partir de 14 anos.

Hoje o papa Francisco recebeu delegações de ambos os lados – “isso já não é guerra, é terrorismo”, disse ele na audiência geral. “Rezem pela paz”, exortou ele. “Rezemos pelo povo palestino, rezemos pelo povo israelense, para que venha a paz”, convocou.

O Hamas divulgou detalhes do acordo, que envolve:

  1. Cessar-fogo bilateral, com a cessação de todas as ações militares pelo exército ocupante em todas as áreas da Faixa de Gaza, e a cessação dos movimentos de seus veículos militares penetrando na Faixa de Gaza.
  2. A chegada de centenas de caminhões de ajuda humanitária, médica e de combustível à Faixa de Gaza, tanto no norte como no sul.
  3. A soltura de 50 mulheres e crianças israelenses com idade inferior a 19 anos em troca da soltura de 150 mulheres e crianças presas pela potência ocupante (Israel), igualmente com idade inferior a 19 anos, todas em ordem de idade.
  4. Parar todo o tráfego aéreo (aviões e aeronaves não-tripuladas) no sul da região por quatro dias.
  5. Parar todo o tráfego aéreo na parte norte da Faixa de Gaza por seis horas diárias, das 10h às 16h.
  6. O compromisso, pela potência ocupante de não atacar, nem prender ninguém em todas as áreas da Faixa de Gaza durante a trégua.
  7. Garantia de movimento do norte para o sul pela rua Saladino.
Audiência geral do papa Francisco hoje (22/11/2023)

(Foto em destaque: Agência Wafa)