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Navalny morreu de causas naturais, diz representante

A secretária de imprensa de Alexei Navalny, opositor russo de extrema-direita, afirmou que a investigação médica indicou que a morte dele no último dia 16 decorreu de causas naturais.

O político estava preso desde 17 de janeiro de 2021, tendo sido transferido em dezembro do ano passado para uma prisão na região de Iamália-Nenétsia, no Ártico. Sua condenação mais recente, em agosto de 2023, teve como fundamento o financiamento de atividades extremistas e a tentativa de reabilitar a ideologia nazista.

Embora fosse adulado pela imprensa ocidental e exibido como uma vítima do governo de Vladímir Putin, Navalny jamais renegou suas raízes na extrema-direita e a xenofobia, voltada especialmente contra os imigrantes do Cáucaso e os muçulmanos.

Vídeo mostrando Navalny manifestando seu apoio a marcha com neonazistas na Rússia.

(Foto em destaque por Mitya Aleshkovskiy)

Lula reafirma: Israel pratica genocídio de palestinos

Em evento na Petrobras, o presidente Lula reafirmou sua posição a favor da criação de um Estado palestino independente coexistindo com Israel e que este país está cometendo um genocídio de palestinos. “Não troco minha dignidade”, ele afirmou. A declaração ocorreu após Israel reagir à comparação feita por Lula entre o genocídio em Gaza e o holocausto, que gerou reações do governo israelense e a retirada dos embaixadores de ambos os países.

O que o governo de Israel está fazendo contra o povo palestino não é guerra,é genocídio! Porque está matando mulheres e crianças. O que está acontecendo em Israel é um genocídio. São milhares de crianças mortas, e não estão morrendo soldados, mas mulheres e crianças dentro de hospital

(Foto em destaque: Ricardo Stuckert/PR)

Guerra na Ucrânia: Rússia conquista Avdeevka

Após quase 10 anos de combate, incluindo 7 de cessar-fogo usado pela Ucrânia para construir fortificações, a cidade de Avdeevka (vizinha de Donetsk) foi tomada pelos russos. A liderança ucraniana anunciou ontem a retirada de tropas da localidade, embora muitos prisioneiros tenham sido feitos e muitos tenham morrido na tentativa de defendê-la após a Rússia tomar todos os caminhos de saída. Nas palavras do jornalista Bruno Amaral de Carvalho, que acompanha os acontecimentos desde Donetsk:

Incapaz de conter o avanço das tropas russas e prestes a ficar sob cerco, a Ucrânia acaba de anunciar a retirada das suas tropas de Avdeevka. A queda desta cidade nos arredores de Donetsk é uma perda estratégica para as forças ucranianas que deixam de ter uma posição importante a apenas 24 quilómetros da maior cidade do Donbass. Desde 2014 que as forças ucranianas disparavam com artilharia pesada sobre Donetsk. Com a derrota em Pesky, Maryinka e Avdeevka, a Ucrânia perdeu as suas três principais praças fortes na zona. Que as forças ucranianas abandonem assim uma cidade é também uma mudança táctica que é reflexo da falta de homens na linha da frente. Entretanto Zelensky queixou-se da falta de armamento por culpa do Ocidente.

Ainda não há números oficiais sobre a quantidade de prisioneiros feita pela Federação Russa no local, que era defendido pela 110ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, a qual nos últimos dias recebeu reforços da 3ª Brigada de Assalto da Guarda Nacional Ucraniana (o infame Batalhão de Azov, uma formação neonazista). Diversos relatos de soldados ucranianos feridos abandonados à própria sorte por Kiev chegaram às redes sociais.

(Foto em destaque: Telegram de Bruno Amaral de Carvalho.)

OMS condena cerco israelense ao Hospital Nasser em Gaza

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou hoje em sua conta no X o cerco ao Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza. O hospital está sob cerco há uma semana, civis foram mortos pelas forças israelenses, o muro norte foi demolido, depósitos de material e equipamento médicos foram destruídos, não há (ao contrário do dito pelo governo israelense) um corredor seguro para os necessitados. A própria OMS teve o acesso ao hospital negado por Israel e não tem mais contato com a equipe local.

Hospital Nasser em Gaza após ataque israelense. (Foto: Radio Habana Cuba)

Nós vimos antes como privar hospitais de recursos e acesso paralisa serviços que salvam vidas. O Nasser é a espinha dorsal do sistema de saúde no sul de Gaza. Ele tem que ser protegido. O acesso humanitário tem que ser permitido.

Hospitais têm que ser salvaguardados para que sirvam em sua missão de salvar vidas. Eles não podem ser militarizados ou atacados. (Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS)

“Eu sobrevivi aos bombardeios israelenses, mas não tenho garantia de que sobreviverei à morte no hospital privado de medicamentos”, disse ao The New Humanitarian Ali al-Akhras, de 42 anos. Ele foi ferido no final de dezembro em um ataque israelense enquanto se refugiava em uma escola. À mesma reportagem, o médico Hatem Rabaa afirmou que, “além da acumulação de lixo nos corredores do hospital, lixo comum e hospitalar que deveria ter destinação especial também está se acumulando nas vizinhanças do hospital, criando um risco sem precedentes à saúde”.

Segundo as Nações Unidas, ocorreram mais de 350 ataques a instalações de saúde desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023. Também a fome é um perigo para os moradores da Faixa de Gaza – a última vez que a Agência da ONU para Assistência as Refugiados Palestinos (UNRWA) conseguiu distribuir alimentos na região foi em 23 de janeiro. Esse é o período mais letal desde o início da ocupação israelense, há 56 anos: mais de uma pessoa a cada 100 habitantes da Faixa de Gaza morreu em apenas 100 dias.

Ucrânia afunda corveta russa

Com o uso de veículos navais de superfície não tripulados, a Ucrânia conseguiu afundar a corveta Ivanovets, da classe Molnya, na lagoa Donuzlav, na Crimeia. Vídeo divulgado pelo serviço de inteligência ucraniano hoje mostra o uso de uma grande quantidade de veículos atacantes contra a corveta, que tenta destruí-los com canhões, mas inutilmente. Danos logo abaixo do compartimento de mísseis levaram à explosão e ao afundamento do navio.

Vídeo ucraniano mostra o afundamento da corveta Ivanovets (fonte: Administração-Geral de Inteligência – GUR).

Ataques anteriores usavam apenas uns poucos veículos não tripulados para cada alvo e, embora houvesse ocasionalmente danos às embarcações russas, não costumavam levar ao afundamento delas. O ataque de hoje inovou ao usar um grande número de veículos atacantes contra um único alvo e mudar o local do ataque, distanciando-se cerca de 90 Km da baía de Sevastopol. A defesa russa contra eles consiste basicamente no uso de canhões, que apresentam dificuldades em atingir essas embarcações altamente manobráveis.

Rússia: míssil dos EUA derrubou avião com prisioneiros

A Rússia divulgou vídeo de seu Comitê Investigativo analisando destroços de um míssil do sistema Patriot, fornecido pelos EUA e seus aliados à Ucrânia, no local da tragédia com o avião Il-76 que transportava prisioneiros de guerra que seriam trocados no último dia 24 de janeiro por prisioneiros russos. O avião transportava 6 tripulantes, 3 policiais militares e 65 prisioneiros. Foram encontrados 116 fragmentos dos mísseis disparados contra o avião, que caiu próximo a Belgorod, na Rússia.

Investigadores russos junto a fragmentos de míssil do sistema Patriot no local do abate do avião Il-76.

O país também divulgou que conseguiu identificar restos mortais de todas as 74 vítimas. Os remanescentes consistem em 670 fragmentos de corpos, que foram identificados por análise de DNA. O lado russo afirma que a Ucrânia havia sido informada sobre o transporte, mas mesmo assim disparou 2 mísseis Patriot a partir da região de Kharkov, do outro lado da fronteira.

Logo que a notícia começou a se espalhar, manchetes foram redigidas na Ucrânia afirmando que “foi trabalho nosso”, “abate do Il-76 em Belgorod foi trabalho das Forças Armadas da Ucrânia”. Quando a Rússia divulgou que o avião transportava prisioneiros de guerra, porém, as manchetes foram alteradas para “caiu um avião” e “transportava mísseis” (do que não há evidência até o momento).

Estônia instala barreiras antitanque na fronteira com a Rússia

Barreiras antitanque conhecidas como “dentes de dragão” sendo instaladas na ponte que liga a Estônia à Rússia entre as cidades de Narva e Ivangorod.

Em mais um agravamento da tensão na fronteira noroeste da Rússia, esta noite a Estônia instalou barreiras antitanque na ponte que liga os dois países entre Narva e Ivangorod. A medida, que transmite aos habitantes locais a ideia de um suposto perigo iminente de invasão russa, veio logo após a Finlândia, recém-admitida à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), anunciar o fechamento de todas as passagens na fronteira com a Rússia, exceto a de Raja-Jooseppi.

Ambas as medidas vêm após um prolongado agravamento das tensões na região, que incluem o banimento da língua russa nas escolas da Lituânia, a respeito do qual o Alto Comissário das Nações Unidas sobre Direitos Humanos expressou sua preocupação: “O governo da Lituânia tem a obrigação, no direito internacional e em instrumentos regionais, de proteger e sustentar os direitos linguísticos das comunidades minoritárias no país, sem discriminação”. Desde o ano passado, uma lei local determinou a expulsão de pessoas apátridas ou com cidadania russa ou bielorrussa que não fossem aprovadas em um exame de proficiência da língua lituana – sendo que muitos desses apenas haviam permanecido no local onde residiam após a desintegração da União Soviética (somente os lituanos étnicos foram admitidos como cidadãos do país nessa ocasião, independente da república onde residiam na URSS).

Opinião de Visão Católica

O fim da União Soviética viu o florescimento de nacionalismos extremos nas antigas repúblicas soviéticas do leste europeu – os únicos países que até agora conseguiram controlar o fenômeno foram a Rússia e a Bielorrússia. Esses nacionalismos são direcionados contra o inimigo óbvio que foi criado: a Federação Russa, herdeira do Império Russo e da União Soviética. O fenômeno é tão grave que até mesmo os colaboradores locais do nazismo são exaltados na Ucrânia e na Lituânia, com marchas dos remanescentes das SS nazistas nesta e a glorificação de pessoas como Stepan Bandera e das organizações colaboracionistas naquela. Recentemente, um membro ucraniano das SS foi ovacionado de pé no parlamento canadense durante a visita do presidente ucraniano, Vladimir Zelenski – o Canadá abriga uma importante comunidade de ucranianos exilados após a Segunda Guerra Mundial.

O caminho para evitar conflitos passa não pela exacerbação das tensões e diferenças, nem pela perseguição de minorias étnicas ou linguísticas, mas sim pelo desarmamento e pela cooperação entre os povos, com o reconhecimento do direito de cada um deles ao desenvolvimento e à soberania. A Isso não é nenhum ensinamento novo, mas parte da Carta Encíclica Pacem in terris, do papa João XXIII, que ensina:

110. Costuma-se justificar essa corrida ao armamento aduzindo o motivo de que, nas circunstâncias atuais, não se assegura a paz senão com o equilíbrio de forças: se uma comunidade política se arma, faz com que também outras comunidades políticas porfiem em aumentar o próprio armamento. […]

112. Eis por que a justiça, a reta razão e o sentido da dignidade humana terminantemente exigem que se pare com essa corrida ao poderio militar, que o material de guerra, instalado em várias nações, se vá reduzindo duma parte e doutra, simultaneamente, que sejam banidas as armas atômicas; e, finalmente, que se chegue a um acordo para a gradual diminuição dos armamentos, na base de garantias mútuas e eficazes. […]

113. Todos devem estar convencidos de que nem a renúncia à competição militar, nem a redução dos armamentos, nem a sua completa eliminação, que seria o principal, de modo nenhum se pode levar a efeito tudo isto, se não se proceder a um desarmamento integral, que atinja o próprio espírito, isto é, se não trabalharem todos em concórdia e sinceridade, para afastar o medo e a psicose de uma possível guerra. Mas isto requer que, em vez do critério de equilíbrio em armamentos que hoje mantém a paz, se abrace o princípio segundo o qual a verdadeira paz entre os povos não se baseia em tal equilíbrio, mas sim e exclusivamente na confiança mútua. Nós pensamos que se trata de objetivo possível, por tratar-se de causa que não só se impõe pelos princípios da reta razão, mas que é sumamente desejável e fecunda de preciosos resultados.

Cessar-fogo e troca de reféns na Faixa de Gaza

Com mediação do Egito e do Qatar, Israel e Hamas chegaram hoje (22) a um acordo por um cessar-fogo de quatro dias na Faixa de Gaza e a troca de reféns – 50 israelenses e 150 palestinos, todos eles menores de idade ou mulheres. O mais jovem refém do Hamas é um bebê de apenas nove meses e Israel libertará adolescentes a partir de 14 anos.

Hoje o papa Francisco recebeu delegações de ambos os lados – “isso já não é guerra, é terrorismo”, disse ele na audiência geral. “Rezem pela paz”, exortou ele. “Rezemos pelo povo palestino, rezemos pelo povo israelense, para que venha a paz”, convocou.

O Hamas divulgou detalhes do acordo, que envolve:

  1. Cessar-fogo bilateral, com a cessação de todas as ações militares pelo exército ocupante em todas as áreas da Faixa de Gaza, e a cessação dos movimentos de seus veículos militares penetrando na Faixa de Gaza.
  2. A chegada de centenas de caminhões de ajuda humanitária, médica e de combustível à Faixa de Gaza, tanto no norte como no sul.
  3. A soltura de 50 mulheres e crianças israelenses com idade inferior a 19 anos em troca da soltura de 150 mulheres e crianças presas pela potência ocupante (Israel), igualmente com idade inferior a 19 anos, todas em ordem de idade.
  4. Parar todo o tráfego aéreo (aviões e aeronaves não-tripuladas) no sul da região por quatro dias.
  5. Parar todo o tráfego aéreo na parte norte da Faixa de Gaza por seis horas diárias, das 10h às 16h.
  6. O compromisso, pela potência ocupante de não atacar, nem prender ninguém em todas as áreas da Faixa de Gaza durante a trégua.
  7. Garantia de movimento do norte para o sul pela rua Saladino.
Audiência geral do papa Francisco hoje (22/11/2023)

(Foto em destaque: Agência Wafa)

Iraque: sai ExxonMobil, entra Petrochina

A Petrochina substituirá a ExxonMobil como principal acionista na operação do campo de petróleo Qurna Ocidental 1, na região de Basra, no Iraque. Trata-se de uma das maiores reservas conhecidas, com capacidade extrativa estimada em 20 bilhões de barris e produção diária de 560 mil barris de petróleo. Com isso, a empresa norte-americana encerra sua operação no Iraque.

Rússia: F-16 para Ucrânia são ameaça nuclear

O ministro das relações exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou em entrevista publicada ontem pelo portal Lenta.ru que os caças norte-americanos F-16 que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pretende entregar à Ucrânia representam uma ameaça de ataque nuclear da OTAN à Rússia. “Gostaria de chamar a atenção para o fato de que os EUA e seus satélites da OTAN criam riscos de confronto armado direto com a Rússia, e isso está repleto de consequências catastróficas.”

A afirmação foi feita respondendo a uma pergunta sobre a discussão existente a respeito da suposta possibilidade de a Rússia usar armas nucleares no conflito ucraniano – a que o ministro não responde diretamente, remetendo aos documentos sobre a doutrina militar russa. Então, ele chama a atenção para o que caracteriza como ameaça nuclear da OTAN.

Os caças F-16 (especialmente aqueles que os Estados Unidos mantém na Alemanha e na Turquia) são capazes de levar armas nucleares, e estão baseados próximo das regiões ocidental e meridional da Rússia – suas regiões mais povoadas e, no caso do Cáucaso, uma de suas fontes principais de petróleo e gás natural. Lavrov afirmou que avisou “às potências nucleares, EUA, Grã-Bretanha e França, que a Rússia não pode ignorar a possibilidade de esses aviões levarem armamento nuclear. Nenhuma garantia resolverá isso.”

No curso das hostilidades, nossos combatentes não considerarão se cada uma dessas aeronaves está carregando armas nucleares ou não. (Sergey Lavrov)

Doutrina militar russa sobre uso de armas nucleares

Segundo a doutrina militar russa, o uso de armas nucleares seria possível quando ataques ao país (mesmo com armas convencionais) representarem uma “ameaça à própria existência do Estado”. As hipóteses para uso delas incluem:

  • Uso de armas de destruição em massa contra a Rússia ou seus aliados.
  • Agressão com o uso de forças armadas convencionais que ameace a própria existência do Estado russo.
  • Obtenção de informações confiáveis sobre o lançamento de mísseis balísticos contra o território russo.
  • Ataque inimigo a instalações críticas da Federação Russa ou instalações militares cuja falha leve ao colapso das ações retaliatórias nucleares russas.

O presidente russo, Vladímir Putin, aliás, já expressou sua atitude negativa quanto à ideia de usar armas nucleares táticas como elemento de dissuasão nuclear.