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Catar: trabalho escravo e mortes em construções da Copa 2022

Mais de 1.200 pessoas já morreram na construção de estádios para a Copa do Mundo de Futebol 2022. Mais de um milhão de pessoas trabalha em condições semelhantes à escravidão, com jornadas que chegam a 16h diárias a temperaturas de até 50ºC na sombra. A denúncia, repercutida pela Rádio Vaticana, é de sindicatos italianos e internacionais. Eles estimam que, até a Copa, mais de 4 mil terão morrido sob essas condições.

Vista noturna de Doha, no Catar. Em que se baseia a opulência econômica desse país?  (Foto: Nuroptics/Wikimedia)
Vista noturna de Doha, no Catar. Em que se baseia a opulência econômica desse país? (Foto: Nuroptics/Wikimedia)

Os operários, provenientes da Índia, do Nepal e de Bangladesh, são submetidos a um regime de trabalho em que “não podem deixar a empresa sem o consenso do patrão, não conseguem visto para sair do país e enfim, não possuem alguma margem de contrato sobre condições de trabalho, de horário e de salário”, diz o órgão de imprensa da Santa Sé.

O emirado do Catar rejeita as acusações, mas se sabe que mais de 900 mortes foram registradas nos consulados dos três países de onde provém essa mão de obra. “Mais da metade das mortes deve-se a infartos devidos às duras condições ambientais e de trabalho”, disseram as organizações.

Opinião de Visão Católica

Não se pode tratar o Catar como um país qualquer, talvez até uma democracia. Ao contrário, segundo o Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, ligado à mesquita de Curitiba, o Catar é, junto com a Arábia Saudita, um dos centros dos quais emana a doutrina wahabista, que é a base religiosa do fundamentalismo islâmico, inclusive aquele do chamado “Estado Islâmico”. Como pode ter conseguido ser a sede de um evento esportivo dessa natureza, que deveria promover a convivência entre os povos e a paz? E, no entanto, recebe sempre o apoio das potências militares e econômicas ocidentais, junto com a Arábia Saudita.

Nigéria: grandes áreas libertadas. Esperança de que refugiados retornem ao lar.

Em preparação para as eleições realizadas no fim de semana, a Nigéria, com apoio de tropas do Chade e do Níger, conseguiu retomar 80% a 90% das áreas anteriormente dominadas pela milícia fundamentalista Boko Haram, aliada local do Estado Islâmico (que também vem sofrendo derrotas na região que controla).

Padre Patrick Tor Alumuku informou à Fides que “a ofensiva militar foi preparada nos últimos meses graças aos fornecimentos de armas provenientes da África do Sul, depois que os países ocidentais, em especial os Estados Unidos, se recusaram a vender armas à Nigéria”. A isso ele acrescentou:

Na Nigéria, em todo caso, se os nossos militares tinham a capacidade de expulsar Boko Haram, pergunta-se o motivo pelo qual se esperou dois anos para fazê-lo, provocando sofrimentos à população, e somente agora se passou à ação, nas vésperas das eleições.

Crianças refugiadas. Foto: Cáritas Nigéria.
Crianças refugiadas. Foto: Cáritas Nigéria.

Mas, com os olhos no futuro, o padre Evaristus Bassey, diretor executivo da Cáritas Nigéria, tem esperança: “Agora que o exército nigeriano está liberando as áreas ocupadas por Boko Haram existe esperança de que os desalojados retornem às suas casas, mas será preciso tempo porque a destruição é enorme”.

(Com informações da Agência Fides. Foto de destaque: militares nigerianos — Michael Larson/US Navy)