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Resumo diário 17/02/2020

Segue o resumo das notícias mais interessantes do dia:

Antropólogo bolsonarista é preso em terra indígena

O antropólogo bolsonarista Edward Luz tentou ontem impor suposta ordem do ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles, a fiscais do Ibama. Foi preso. No entanto, o episódio demonstra como a civilização brasileira vem sendo substituída pela “justiça” sendo exercida por indivíduos voluntariosos. O vídeo abaixo retrata o incidente:

Suposto plano terrorista contra ministros do STF

A jornalista Mônica Bergamo divulgou que a Polícia Federal teria alertado o Supremo Tribunal Federal (STF) . A célula terrorista seria chamada “Unidade Realengo Marcelo do Valle”. Marcelo Valle é o nome de uma pessoa condenada por terrorismo que teria influenciado o autor da chacina conhecida como “Massacre do Realengo”, acontecida em uma escola municipal do Rio de Janeiro em 2011. Se quiser conhecer mais sobre grupos como esse, leia reportagem do Jornal GGN.

Carro de deputado federal atingido por tiros

O carro do deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) teria sido atingido por tiros ontem a caminho de Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. O incidente, apesar de grave, apenas acarretou o cancelamento da agenda do parlamentar.

Vala comum descoberta na Síria

O governo sírio descobriu uma vala comum utilizada por terroristas a leste da capital, Damasco. Os corpos encontrados estavam com as mãos amarradas e, na maioria, com tiros na cabeça, indicando execução. Eram militares e civis. A região foi dominada por terroristas de 2011 a 2018 — do início da guerra civil ao momento em que o Exército Árabe Sírio liberou o entorno da capital.

Rússia e Turquia não chegam a acordo sobre cessar-fogo na Síria

A Rússia e a Turquia não chegaram a um acordo sobre um cessar-fogo na região de Idlib. O governo turco de Recep Tayyip Erdogan insiste que o governo sírio abra mão do extenso território que liberou dos terroristas islamitas apoiados pela Turquia. O porta-voz do presidente da Federação Russa, Dmitry Peskov, afirmou que seu país apoia o governo sírio na luta contra o terrorismo. Os representantes russos no diálogo teriam demandado que as negociações fossem elevadas ao nível presidencial.

Alepo, Síria: Rodovia e aeroporto voltam a funcionar

A rodovia que liga Alepo a Tel Rifat (e deveria levar à fronteira com a Turquia) foi liberada pelo governo sírio no mesmo dia em que o governo anunciou que o aeroporto internacional de Alepo voltaria a funcionar. A conquista de territórios a oeste e a noroeste da cidade que antes eram ocupados por jihadistas apoiados pela Turquia garantiu a segurança do uso de ambas as estruturas. A estrada até sábado estava parcialmente nas mãos dos militantes salafistas. A última porção da estrada, que passa por Azaz, a norte de Tel Rifat, se encontra sob domínio da Turquia e de seus terroristas salafistas. O front a oeste de Alepo se encontra agora a 20Km do centro da cidade, a meio caminho da fronteira turco-síria.

(Imagem em destaque: Dmitry Peskov, porta-voz do presidente da Federação Russa. Fonte: SANA.)

Turquia e Síria em confronto

Em meio à atual ofensiva do governo sírio contra os rebeldes islamitas em Idlib e Alepo, além da rápida movimentação de tropas turcas montando novos “postos de observação” na zona ainda controlada pela rebeldes, o exército sírio bombardeou há cerca de meia hora um posto de observação turco recém instalado em Tarnaba, próximo a Saraqib, e a Turquia neste momento está retaliando.

Houve a divulgação recente, por parte da Rússia, de que a Turquia teria concordado em deixar o governo da Síria ocupar seu próprio território (sírio) até a rodovia M5, que liga a capital, Damasco, a Alepo, no norte do país, passando pela província de Idlib, na maior parte dominada pelos rebeldes salafistas (da mesma ideologia do Estado Islâmico e da Al Qaeda). Contudo, parece que os turcos não previram o rápido avanço do governo sírio, talvez acreditando em desgastar as tropas do país vizinho.

A disputa atual se dá em torno da cidade de Saraqib, na província de Idlib, onde a rodovia M5, que vai do Sul ao Norte, cruza com a M4, de Leste a Oeste. Neste fim de semana houve movimentos erráticos de tropas turcas tentando estabelecer novos postos de observação para garantir uma paz há muito frustrada. Os acordos de cessar-fogo previam que não seriam aplicados a grupos terroristas, como o HTS, sucessor da Al Qaeda na Síria – que, no entanto, domina a região controlada pelos rebeldes.

(Foto em destaque: rebeldes sírios apoiados pela Turquia. Via Twitter de @SaadEdin_souma em out. 2019)

VÍDEO: para entender o conflito EUA x Irã

Como já foi dito no vídeo do dia 1º de janeiro, Estados Unidos e Irã estão em uma escalada de violência recíproca nos territórios do Iraque e da Síria. Esse vídeo ajuda a entender a história por trás desse acontecimento e qual era o papel do general Qassem Suleimani, morto há duas noites, nos conflitos que assolam a Síria e o Iraque.

Que Deus nos dê a sua paz!

Foto em destaque: General Qassem Suleimani (Sayyed Shahab-o- Din Vajedi via Wikimedia Commons).

EUA entregam território sírio à Turquia

Hoje (17), Estados Unidos da América e Turquia anunciaram um acordo que resultaria na retirada de sanções americanas contra o governo turco. Foi anunciado um suposto cessar-fogo na região noroeste da República Árabe da Síria, que já não se confirma devido ao assalto continuado dos turcos à cidade fronteiriça de Ras al Ayn. Os termos do acordo, a respeito do qual não foram consultados nem o governo sírio, nem as Forças Democráticas da Síria (grupo que engloba curdos, siríacos, assírios e árabes), dizem que as forças armadas turcas imporão uma “zona de segurança” na região. Dessa forma, o que ficou do acordo é a concordância dos EUA com a ocupação de todo o norte da Síria pela Turquia. Abaixo, o texto do acordo:

Acordo turco-americano para ocupação do nordeste da Síria. Fonte: Jeff Seldin, correspondente da Voz da América.

Curdos e governo sírio entram em acordo

Sírios comemoram entrada do exército governamental em bairros de Hasaka. Imagem da agência SANA.

Na tentativa de barrar o avanço da Turquia e dos rebeldes apoiados pelo estrangeiro, as Forças Democráticas Sírias (FDS) e o governo sírio entraram hoje (13) em um acordo para que as tropas governamentais protejam a fronteira com a da Síria com a Turquia. Assim, as populações curdas e cristãs serão protegidas dos ataques do governo turco e dos rebeldes wahabitas, da mesma vertente do islamismo que deu origem ao Estado Islâmico. Houve comemoraçãoem diversas cidades, como Hasaka e Qamishli. A ofensiva turca começou após os Estados Unidos da América retirarem seu apoio aos curdos na fronteira sírio-turca.

Turquia ataca curdos sírios novamente

Tropas turcas e terroristas da oposição síria na fronteira com a Síria, com artilharia pesada. Foto via Twitter de @SaadEdin_souma.

A Turquia está pronta para invadir novamente a Síria e atacar as forças curdas. A justificativa, como sempre, é o vínculo a grupos curdos que fazem oposição ao regime turco, classificados como terroristas pelos turcos. A operação contará com o apoio dos terroristas sunitas que fazem oposição ao governo sírio.

A operação, anunciada há vários meses, vinha sendo adiada devido à presença de tropas dos Estados Unidos no nordeste da Síria em apoio às forças curdas que combatem o Estado Islâmico. A essas forças se juntaram também grupos cristãos siríacos e assírios a leste do rio Eufrates.

Ontem, contudo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada das tropas americanas da fronteira. Hoje, militares curdos e americanos acreditam que a operação terá início nas próximas 24 horas. No meio do caminho, há também locais com tropas governamentais na cidade de Qamishli e nas proximidades de Manbij. (Atualização: após as 10h do dia 9, horário de Brasília, foram registrados os primeiros ataques aéreos e de artilharia pela Turquia nessa operação.)

O temor principal é de que os turcos promovam um genocídio contra os curdos e os cristãos na região. Não será a primeira vez. Para quem quiser conhecer o sofrimento que provocam, vale a pena ler o Diário de Myriam, escrito por Myriam Rowick, uma menina cristã de Alepo, cidade Síria que esteve sitiada pelos terroristas. No Brasil, foi publicado pela editora Darkside.

Nova atualização: a frente al-Nusra (braço da al-Qaeda na Síria) divulgou seu apoio à operação turca.

Ataque turco inicia com dificuldade

Como noticiado há uma semana, o ataque da Turquia aos curdos no noroeste da Síria (província de Afrin) finalmente iniciou no sábado (20). Até o momento, porém, as forças turcomanas têm tido dificuldade de adentrar no território sírio. São rebeldes turcomanos islamitas do chamado Exército Livre Sírio (FSA) apoiados pelo exército e pela aviação do governo turco. O motivo alegado pela Turquia é a expulsão de “terroristas” da fronteira turco-síria e o retorno dos refugiados – isto é, sua expulsão do país turcomano.

Rebeldes turcomanos (FSA) celebram butim. (Foto via Twitter – @op_shield)

Os rebeldes do FSA têm noticiado a ocupação de algumas colinas e festejado o butim – munição e armamento tomados dos curdos. Por outro lado, as chamadas Forças Democráticas Sírias (SDF, dominadas pelos curdos e com participação cristã e árabe) têm dito que reconquistaram diversos desses lugares. Os turcomanos ainda tentam abrir novas frentes na fronteira.

Opinião de Visão Católica

A Turquia vem dizendo que a ação encontraria respaldo no direito internacional, mas não houve provocação curda ou síria anterior, não sendo, portanto, resposta a um ataque. Por outro lado o apoio é dado aos mesmos rebeldes turcomanos que mataram um aviador russo após este se ejetar do avião que a Turquia abateu, em absurda violação do direito humanitário. Isso fortalece a posição deles na guerra civil travada na Síria, influindo diretamente na política da nação árabe. Aliás, a ênfase no apoio aos rebeldes turcomanos, aliada ao histórico de repressão aos curdos e de genocídio dos armênios provoca preocupações de que as motivações possam ir muito além da segurança da fronteira e do retorno dos refugiados.

É preciso dizer, claro, que a mera dominação curda não pode substituir a dominação árabe (do governo de Bashar al Assad) ou turcomana. A relação deles com as outras minorias étnico-religiosas, inclusive os cristãos, não é totalmente pacífica. Contudo, as SDF são o único agrupamento que surgiu para autodefesa contra o Estado Islâmico e, mesmo sendo apoiadas pelos Estados Unidos, têm se mostrado abertas ao diálogo e à paz.

Síria: Turquia prestes a atacar curdos

Mobilização turca ao norte da região dominada pelos curdos na Síria. (Foto via Mete Sohtaoğlu)

A situação está prestes a se deteriorar no noroeste da Síria, região hoje dominada pelas Forças Democráticas da Síria (SDF), lideradas pelos curdos. A Turquia vem enviando crescentes quantidades de material bélico, e vem discursando no sentido de criar uma “faixa segura” na fronteira com a Síria, isto é, em expulsar os militantes das Unidades de Proteção Popular curdas (YPG), ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), proscrito na Turquia.

Noroeste da Síria. Amarelo: SDF; vermelho: governo sírio; verde: ocupação turca e rebeldes apoiados pela Turquia. (Mapa: Live Universal Awaranes Map)

A região em questão é limitada ao norte e ao oeste pela Turquia, e esta já ocupou os limites sul e leste, a pretexto de garantir um acordo de cessar-fogo (no sul) e de expulsar o Estado Islâmico (no leste). Resta apenas uma divisa com o governo sírio a sudeste, único espaço para comunicação e comércio com o resto do país. Essa é a mesma região em que foi derrubado um avião russo que atacava posições de rebeldes turcomanos islamitas em 2015.

Mobilização turca a oeste da Síria. (Foto via Live Universal Awaranes Map)

O Partido Islâmico do Turquestão, aliás, é membro-fundador do Comitê de Libertação do Levante (HTS), antes conhecido como Frente Al Nusra ou Al Qaeda na Síria, que muito recentemente rompeu com a Al Qaeda e prendeu alguns de seus dirigentes. Sob a bandeira das SDF combatem, além dos curdos, grupos árabes e cristãos assírios e siríacos.

Síria e Iraque: notícias do front

Muralha de Nínive em Mossul, no Iraque.

Pouco se tem falado da guerra contra o Estado Islâmico ultimamente. No entanto, as novidades são muitas, a maioria das quais indica o enfraquecimento desse grupo terrorista.

Mossul, Iraque

Interior da mesquita onde fica o túmulo do profeta Jonas – foto tirada por um integrante das forças de contraterrorismo iraquianas.

A antiga cidade de Nínive, onde atuou o profeta Jonas, já é em grande parte dominada pelo governo iraquiano. Na última semana, o avanço foi esmagador, e toda a margem esquerda do rio Tigre já foi liberada.

Entrada para o túmulo do profeta Jonas na região histórica de Mossul (Nínive).

O governo anunciou oficialmente a liberação da região leste da cidade. A área histórica, incluindo o túmulo do profeta Jonas, está nessa região. contudo, os danos sofridos a essa construção histórica.

Deir Ez Zor, Síria

A cidade síria, praticamente desconhecida por aqui, é um enclave das forças do governo no meio do território do Estado islâmico. infelizmente, os terroristas nos últimos dias lançaram uma ofensiva na região, e conseguiram cortar a ligação entre a base aérea e a cidade. Eles hoje dominam elevações importantes e colocaram as forças armadas da Síria na defensiva.

Raqqa, Síria

Raqqa é a capital do Estado Islâmico, e também o nome de uma província na Síria. Grande parte do território já foi liberada por forças curdas, siríacas e árabes. 236 vilas foram liberadas desde o início da ofensiva, noticiado aqui no Visão Católica. 260 combatentes do Estado Islâmico foram mortos, 18 foram presos. 42 membros das chamadas “Forças Democráticas da Síria” e 3 do Conselho Militar Siríaco foram mortos. Essas forças estão agora a cerca de 25 quilômetros da capital do califado.

Homs, Síria

Na Província de Homs, onde o governo sírio havia perdido território para o Estado Islâmico (inclusive a cidade de Palmira, que havia sido recentemente reconqusitada), as forças armadas sírias avançaram 7Km na última semana, restando outros 35 até Palmira.

Começa ofensiva contra capital do Estado Islâmico

Forças especiais americanas na batalha por Raca, na Síria. (Foto: isis.liveuamap.com)
Forças especiais americanas na batalha por Raca, na Síria. (Foto: isis.liveuamap.com)

Após dois anos de proclamação do califado do Estado Islâmico (EI), profundamente contestado pelos próprios muçulmanos sunitas, que dizem liderar, o Estado Islâmico se vê na defensiva nas duas principais cidades que controla: Mossul (antiga Nínive, onde atuou o profeta Jonas) e Raca. A primeira ofensiva, pelo controle de Mossul, e que já dura semanas, visa a retomar o controle da maior cidade do califado pelo governo iraquiano com ajuda de forças internacionais, milícias xiitas e curdas. Na segunda ofensiva, iniciada há horas, participam apenas forças da oposição síria e da autoproclamada “coalizão” liderada pelos EUA. Enquanto isso, as forças armadas sírias avançam na província de Homs.

Civis que fugiam para o sul foram alvo do Estado Islâmico na batalha por Mossul. (Foto: isis.liveuamap.com)
Civis que fugiam para o sul foram alvo do Estado Islâmico na batalha por Mossul. (Foto: isis.liveuamap.com)

No centro das batalhas, como sempre, estão os civis. Em Mossul, os que fugiam da batalha foram ontem alvo de um atentado terrorista do EI, que deixou dezenas de vítimas. Eles rumavam para o sul, em direção ao território já conquistado pelas forças do governo iraquiano.

Forças iraquianas (território em vermelho) avançam sobre Mossul com apoio dos curdos (em amarelo), xiitas e forças internacionais. (Fonte: isis.liveuamap.com)
Forças iraquianas (território em vermelho) avançam sobre Mossul com apoio dos curdos (em amarelo), xiitas e forças internacionais. (Fonte: isis.liveuamap.com)

O controle territorial é fundamental para o conceito islâmico de califado. Conquistadas as duas cidades, o EI perderá sua capital e sua maior cidade, justamente o local onde o califado foi proclamado. Se as vitórias de 2014 ajudaram a recrutar estrangeiros para sua guerra, o EI se vê agora enfrentando sucessivas derrotas, na eminência de perder o controle sobre suas maiores glórias: a capital de onde administra seu território e sua maior conquista militar, símbolo de seu antigo poderio. Há tempos o califado foi derrotado também em Dabiq, cidade simbólica para sua ideologia, que busca levar à “batalha final”, que segundo testemunhas Maomé teria predito que aconteceria naquele lugar antes do fim dos tempos.

Helicópteros do governo sírio fotografados pelo Estado Islâmico na província de Homs. (Foto: isis.liveuamap.com)
Helicópteros do governo sírio fotografados pelo Estado Islâmico na província de Homs. (Foto: isis.liveuamap.com)