O que é Visão Católica

Visão Católica é uma iniciativa pessoal de Leandro Arndt, historiador formado pela Universidade Federal do Paraná e estudante da Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília.

O objetivo de Visão Católica é ser um site de notícias católico, mas sobre o que acontece no mundo, não apenas na Igreja, como é usual ver por aí. Também não quer ser apenas um site de notícias, mas um que apresente o que é relevante e que analise a notícia de um ponto de vista católico, norteado pela caridade e pela verdade, seguindo as linhas traçadas pelo papa emérito Bento XVI e o código de ética de Visão Católica.

As opiniões contidas sob o título “Visão Católica” são de responsabilidade do autor. Veja também Caritas in veritate, blog de Leandro Arndt.

4 ideias sobre “O que é Visão Católica”

  1. Prezado irmão em Cristo. Acho bastante louvável qualquer iniciativa de apresentar as questões sobre a vida pública e a sociedade em vista de se oferecer contribuições às discussões sobre os temas relevantes da sociedade. No entanto, respeitando suas posições colocadas aqui, gostaria de dizer que considero muito temerário que você exponha suas posições, por mais legítimas que sejam, em um blog com este nome, visão católica, quando, lendo o que escreve, fica bem evidente que suas opiniões não refletem necessariamente uma visão católica, mas sim a visão de um católico, que de forma livre lê os acontecimentos a partir de sua experiência de vida (certamente marcada por uma determinada experiência eclesial), julga e interpreta a realidade e se posiciona. No entanto, não se pode dizer que isso corresponda a uma visão católica. Ao fazê-lo, você dá a entender, ainda que de forma indireta, que suas posições refletem um ponto de vista autorizado pela hierarquia da Igreja, o que não é verdade. Suas posições são bem claras a respeito da política, você se coloca, por exemplo, claramente de um lado nesta situação de crise que vivemos, dando a sugerir que sua posição está legitimada pelos nossos bispos, citando a opinião de um ou outro prelado, o que não reflete a posição do colegiado, já que os mesmos simplesmente pedem serenidade, mas não se manifestam (e nem podem) a respeito de questões mais concretas como o impeachment, por exemplo.

    Sendo assim, gostaria de sugerir a você que repensasse o nome deste blog, pois está bastante claro que ele, no âmbito da política (que me parece ser um dos assuntos fundamentais aqui tratados), não reflete uma posição que seja católica, mas antes a posição de um católico que tem a coragem de se posicionar, o que é bastante válido dentro do debate público, mas isto não o autoriza a dizer que esta visão reflita um pensamento que possa servir de critério seguro para que um fiel, desejoso de se posicionar acerca destas questões, possa simplesmente tomar como referência as opiniões aqui levantadas para formar a própria posição.

    Como católico que sei que você é, faço um apelo para que reze e reveja esta questão. Peço a Deus que o ajude a encontrar uma forma mais adequada de oferecer sua contribuição ao debate democrático.

    Paz e Bem.

    Marcos Gregorio Borges
    Coordenador Diocesano da Pastoral Universitária da Diocese de Guarulhos
    Grupo Coração Novo para um Mundo Novo
    Missão Veritatis Mater

    1. Obrigado pelo comentário, Marcos!

      Confesso que, quando criei o site, isso foi uma questão muito refletida. Também tive o receio de que houvesse qualquer confusão a esse respeito. Contudo, penso que o nome “Visão Católica” não diz necessariamente que seja a visão da hierarquia da Igreja, mas um ponto de vista católico, isto é, de um fiel que procura se guiar pela Revelação e pelo Magistério. Quando coloco “Opinião de Visão Católica” (o que acontece na maioria das publicações), é justamente para dizer que se trata da opinião do site (eu pensava inicialmente que outras pessoas pudessem se juntar a essa iniciativa, e até me atrevo a convidá-lo para isso). Se você tiver alguma sugestão a esse respeito, gostaria de ouvi-lo.

      Quanto à minha posição na crise que vivemos, sei que vou um pouco além da letra do último documento da CNBB a esse respeito. Mas, penso que não extrapolo o seu sentido. Essa opinião é corroborada, por exemplo, pelo bispo de Crateús, em vídeo assaz divulgado, e que pode ser visto aqui, em http://www.visaocatolica.com.br/2016/03/dossie-igreja-catolica-firme-pela-democracia/ – ali, com mais liberdade que uma instituição como a CNBB, ele explicita o significado do que a Conferência vem dizendo há tanto tempo. No mesmo artigo, você pode conferir a posição externada por alguns organismos da CNBB, que vai ainda além da fala do bispo de Crateús, e adota uma linguagem que os identifica claramente com um campo da atual disputa política (o mesmo em que eu me coloco). Penso que não se pode dizer que a posição externada aqui não seja uma “Visão Católica”.

      Se vemos, julgamos e agimos, em um momento como esse é difícil encontrar uma neutralidade. Cabe ao fiel leigo atuar no âmbito político, e venho tentando fazer isso com a maior serenidade e procurando promover a justiça e a paz, que hoje me parece tão distante.

      Sigo sempre rezando pelo Brasil e pelo mundo (também tão necessitado de paz, o que não se faz sem uma ordem internacional justa, como nos lembra o beato Paulo VI). Talvez deva pedir mais para que Deus me ilumine na minha atuação política (na pólis, como você deve bem saber).

      A paz, meu irmão, a paz para todos nós!

  2. Caríssimo irmão e amigo, paz e bem.
    Muito obrigado por sua resposta, confesso que depois dela tendo a ter um olhar mais sereno a respeito da sua proposta.

    No entanto, apesar de acreditar que você está procurando dar a sua contribuição da forma mais sincera possível dentro deste contexto difícil, ainda guardo receios com relação à maneira como esta contribuição se materizaliza.

    Em primeiro lugar, com relação à CNBB, digo com toda a tranquilidade que ela não se posiciona contra ou a favor, e não poderia fazê-lo, pois isso cabe a cada fiel, e ela tem o dever de orientar, mas não o de influenciar de forma tão direta esta questão, por não se tratar de matéria de fé ou de moral. O que acontece, na prática, é que um ou outro bispo acaba se posicionando, e aí a situação é bastante variada. Se por um lado o bispo de Crateús se manifestou de forma mais direta contra o impeachment, por outro lado o ex-bispo auxiliar de Aparecida deu uma “indireta direta” ao falar de pisar a cabeça “daqueles que se intitulam jararacas”, em uma clara expressão ao ex-presidente Lula.

    Neste sentido, qualquer tentativa de afirmar a posição dos bispos a partir de uma ou outra opinião, é uma forma de instrumentalização da Instituição, mesmo que não exista a intenção de fazê-lo. Da mesma forma, o fato de algumas pastorais se posicionarem não reflete a posição da Igreja, mas sim a posição daquela pastoral simplesmente, e ainda assim a posição dos seus responsáveis, o que não significa necessariamente que todos os fiéis que atuam naquela pastoral nas paróquias do Brasil concordam com aquele manifesto.

    Agora, com relação ao impeachment eu diria o seguinte:
    Apesar de respeitar sua posição crítica ao impeachment, tenho dificuldades de enxergar, por exemplo, que seja adequado utilizar alguns termos, como “golpe”, para tratar desta situação. Não sei se você tem observado esta questão, mas a verdade é que a insistência do uso deste e de outros termos, por parte de quem considera que o impeachment não seja adequado, está simplesmente isolando estes grupos no que diz respeito à opinião pública, tanto que cada vez mais as manifestações a favor do governo se tornam manifestações de uma militância muito bem organizada, mas também muito específica, diferente das manifestações contrárias ao governo.

    Acho absolutamente normal (e até importante) existirem vozes dissonantes com relação a isso, e que se manifestam de forma democrática, mas é imporante considerarmos algumas questões fundamentais: Não estamos mais vivendo um momento político em que forças ideológicas muito fortes se degladiavam, em um contexto de grande fragilidade institucional. Pelo contrário, hoje vivemos em um Estado de Direito, com Instituições que, apesar de seus problemas, permanecem sólidas e firmes, dentro de uma democracia que aos poucos vai amadurecendo. Neste sentido, por mais que se possa argumentar de forma razoável acerca da não existência de razões para o impeachment, certamente o caminho de fazê-lo não é simplesmente apontando aqueles que o defendem como “golpistas” Ao fazer isso, o que se consegue é romper o diálogo, pois a maior parte das pessoas simplesmente não entendem estes termos, principalmente pelo fato de que o partido que hoje está no poder protagonizou o único impeachment que já tivemos, e sabemos ter tentado por mais de uma vez encaminhar o impeachment do ex-presidente FHC.

    No entanto, é bem verdade que existem setores da política que querem se aproveitar da situação, do momento, e procuram instrumentalizar este processo em causa própria, dentro de um claro projeto de poder, mas isso não significa que não exista na sociedade um sentimento forte e profundo de indignação sobre tudo o que está acontecendo no Brasil, sobretudo pelo fato de grande parte dos escândalos políticos serem protagonizados por forças políticas que passaram anos defendendo bandeiras ligadas a ética, a honestidade, etc.

    Sendo assim, meu caro amigo, e aqui expresso apenas a minha opinião, me parece que a maneira mais correta de lidarmos com esta situação a partir de nossa experiência de fé, é procurar olhar a realidade para além das ideologias, sejam elas de esquerda ou de direita, mas procurar observar o que é verdadeiro de cada lado, seja daqueles que estão verdadeiramente indignados com esta tremenda crise institucional que estamos vivendo, seja daqueles que estão realmente preocupados com a possibilidade (e ela é real) de termos um retrocesso em certos avanços inegáveis que tivemos em algumas áreas das políticas sociais, dependo de como esta situação seja encaminhada.

    Pessoalmente, acredito que este caminho seja o caminho do Cristo, e é isso que procuro fazer nos trabalhos que desenvolvo. Sem dúvida, tenho uma posição pessoal a respeito do impeachment, mas isso não é o mais importante. O importante são os desdobramentos que esta situação terá, ocorrendo o impeachment ou não, com relação à pessoa humana, pois é ela que importa ao final de tudo, e infelizmente, me parece que, de nenhum dos lados, ela está sendo o critério referencial para um adequado discernimento do que precisa ser feito para superarmos esta crise.

    Por fim, irmão, estou profundamente convicto de que o evangelho nos oferece algo muito maior do que este debate que vemos na mídia. Desta forma, acredito que nossa experiência pessoal com Cristo é capaz de nos ajudar a sermos uma presença original no mundo, indo muito além de simplesmente abraçar esta ou aquela bandeira, sem considerarmos outras questões implícitas neste processo.

    Obrigado pela oportunidade do debate.

    Grande abraço fraterno em Cristo.

    Marcos.

    1. Mais uma vez, muito obrigado pelo seu comentário, Marcos! É esse tipo de debate que deveria estar acontecendo na sociedade brasileira.

      Como disse o bispo de Crateús, há quase 500 bispos no Brasil, e não há como “pensar que 500 bispos pensem igualzinho ao outro”. Há bispos que são vozes fortes contra a corrupção que existe no atual governo. Não só o ex-auxiliar de Aparecida, mas também o arcebispo de Olinda, Recife e Palmares estão entre eles. Mas, dentre todas essas vozes, quem se habilitou a interpretar com autoridade o documento da CNBB foi o de Crateús, e sua fala é clara. Veja que foi ele, um bispo, que interpretou com autoridade o que disse a CNBB – e esta, como instituição, deve tomar muito cuidado com posicionamentos políticos, mas seus bispos têm mais liberdade, tanto para interpretar e concordar, quanto para discordar dela. (Infelizmente, ainda nos falta melhor definição sobre o papel das conferências episcopais no Magistério da Igreja e em sua sinodalidade.)

      Veja bem, Marcos. Eu não me arriscaria a dizer sozinho que a Igreja Católica no Brasil (representada pela CNBB) pede a manutenção do governo, mesmo acreditando que o pedido de construção de governabilidade signifique exatamente isso. Eu não tenho autoridade para dizê-lo, e seria muito arriscado, no atual momento, um fiel leigo ir além do mero texto daquela declaração. Mas, quem a interpretou foi um bispo. Ele tem autoridade. Sendo assim, me senti tranquilo para criar aquele dossiê.

      Quero crer que as instituições políticas brasileiras sejam fortes, mas nossa democracia ainda é jovem e vive, quer queiramos, quer não, sob o fantasma do golpe de 1964. Há várias manifestações disso, por parte de grupos que perderam todo o pudor desde as eleições. Até o Lobão, que não pode ser chamado de opositor do impeachment, falou desse fantasma. Analisando com calma as acusações feitas contra Dilma Rousseff, penso ser difícil encontrar qualquer crime de responsabilidade, mesmo que haja ações muito questionáveis em seu governo, inclusive as que foram apelidadas de “pedaladas fiscais”. Se nos apegamos à democracia, ao menos teremos que considerar o princípio de que não há crime sem lei que previamente o comine. Estão querendo aplicar um entendimento posterior a fatos ocorridos quando não havia esse entendimento de ilicitude dos atos. É perigosíssimo para a democracia. Ademais, todos sabemos que os setores que estão à frente do processo de impeachment apenas querem apear o PT do poder para tomar as rédeas novamente. Independente de crime de responsabilidade, destituir um governante para mudar a política escolhida nas urnas é golpe – impedir um governante em decorrência de crime de responsabilidade, mas manter a política escolhida livremente pelo povo seria, propriamente, um impeachment. E não deixa de ser interessante ver agora o PT tendo que se defender de algo que muitas vezes desejou quando estava na oposição.

      Mas, enfim, concordo plenamente com você: o verdadeiro caminho é o seguimento de Cristo! É pelo nosso testemunho que podemos mudar a sociedade, e não pela mera disputa do poder. Como você disse: “O importante são os desdobramentos que esta situação terá, ocorrendo o impeachment ou não, com relação à pessoa humana, pois é ela que importa ao final de tudo, e infelizmente, me parece que, de nenhum dos lados, ela está sendo o critério referencial para um adequado discernimento do que precisa ser feito para superarmos esta crise.”

      Seguir verdadeiramente a Cristo implica muitas vezes sermos nós mesmos contrariados pelas escolhas do Senhor. Ele sempre nos desafia a viver com caridade e verdade, como apóstolos da paz e da justiça. E quantas vezes queremos fazer valer nossas vontades! Mas, “seja feita a vossa vontade”, dizemos, e seguimos em frente. Que Deus nos auxilie nessa caminhada!

      Antes de me despedir, quero reiterar o convite para você escrever para o Visão Católica. Há muito o que ser dito sobre o que acontece no mundo, especialmente fora das polêmicas políticas locais. Na sexta-feira, por exemplo, divulguei mais uma vez o drama dos refugiados: http://www.visaocatolica.com.br/2016/04/turquia-expulsa-refugiados-sirios/ – mesmo que você não queira participar, estendo o convite a quem você imagine que possa estar interessado e tenha as qualidades necessárias (e não são muitas, além de tentar se submeter ao Magistério e buscar noticiar com caridade e verdade). O código de ética que rege este site está em http://www.visaocatolica.com.br/codigo-de-etica-de-visao-catolica/

      A paz, meu irmão, e um forte abraço!

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