Moro desvia recursos para a Petrobras?

Ao responder os embargos de declaração acerca da decisão que condenou Lula, o juiz Sérgio Moro entrou em contradição: para a defesa de Lula, disse que não foi mesmo comprovada a origem dos recursos da suposta corrupção; para a Petrobras, disse que os recursos obtidos com a condenação seriam destinados a ressarcir os prejuízos que a empresa teria sofrido. Mas, se não houve comprovação de que os recursos tinham origem na Petrobras, como eles poderiam ressarcir o prejuízo que não foi comprovado?

De duas, uma: ou Moro mentiu ao dizer que  “este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente” ou dá à Petrobras um dinheiro que não era seu. Contudo, ele não pode formalmente desvincular esse processo da Petrobras, sob pena de não poder condenar os réus (Moro é incompetente para julgar um crime supostamente acontecido em São Paulo). Dessa forma, ele manteve uma vinculação formal entre o processo e a empresa petrolífera, ainda que não tenha dito que o dinheiro teria vindo dos contratos que lhe dariam competência para julgar a ação.

Se não foi possível ou desejável comprovar que o dinheiro veio de uma obra na refinaria de Araucária, então não é possível afirmar que Moro tinha competência para o julgamento. Ou ele mentiu para os advogados de Lula, ou desviou bens de outras pessoas para a Petrobras.

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