Lava-Jato: imprensa inventa campanha presidencial em 2012 e 2013

A notícia é a notícia: após a decretação da prisão temporária de João Santana para que se investiguem pagamentos realizados de maneira escusa em 2012 e 2013, a imprensa rapidamente ligou a investigação às campanhas presidenciais de 2006, 2010 e 2014 (anos em que ele não recebeu tais pagamentos). Isso colocou lenha na fogueira dos processos que o PSDB move para tentar cassar a diplomação de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) e tentar conseguir sem o voto popular o mandato que fracassou em obter nas urnas. O marqueteiro alega que os pagamentos se referem a campanhas que realizou no exterior. Em todas as reportagens indicadas se percebe o viés dado às notícias. Mas, o cúmulo do absurdo (ao menos pelo que se sabe até agora) aparece em artigo de opinião de Hélio Gurovitz — ele afirma com todas as letras que os pagamentos em 2012 e 2013 se refeririam a campanhas eleitorais de Dilma Rousseff (só não se sabe quais, pois ela não se candidatou a nada nesses anos): “as datas de depósitos provenientes de contas vinculadas à Odebrecht [em 2012 e 2013] são compatíveis com pagamentos relativos às eleições de 2010 ou 2014 – caberá às investigações esclarecer de qual se trata”.

Opinião de Visão Católica

Não é por menos que João Santana abandonou a campanha eleitoral da República Dominicana e divulgou carta dizendo que o Brasil vive clima de perseguição. Independente da licitude dos pagamentos que recebeu da Odebrecht, a gana da imprensa e dos partidos de oposição em achar qualquer vínculo, por mais absurdo que seja, entre a corrupção na Petrobras e a presidente Dilma Rousseff coloca qualquer um em risco de enfrentar meses de prisão temporária ou preventiva, até assinar um acordo de delação premiada.

Advogados mais de uma vez alertaram que esse método utilizado largamente pelo juiz Sérgio Moro é próprio de ditaduras. Cabe lembrar do erro crasso na prisão preventiva da cunhada do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, porque sua irmã (esposa do tesoureiro) foi flagrada por uma câmera de segurança depositando dinheiro em sua própria conta, ou da manutenção da prisão preventiva de Vaccari, mesmo após ter sido afastado da tesouraria do PT, como se pudesse continuar representando o suposto perigo para a sociedade sem os poderes que antes tivera.

É provável que esses pagamentos, realizados por meio de off shores (empresas abertas no exterior, muitas vezes para ocultar os reais pagadores e recebedores), possam envolver algum ilícito, especialmente depois que tomamos conhecimento do conluio entre os fornecedores para fraudar a Petrobras, que em algum momento passou a envolver diretores da empresa estatal. Porém, ligar pagamentos em 2012 e 2013 a campanhas eleitorais em 2006, 2010 ou 2014 é ir além, muito além do dever de informar.

(Foto em destaque: sede da Petrobras — Wikimedia)

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